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Outubro Rosa: tatuagem reparadora no seio devolve autoestima às mulheres

A batalha da mulher contra o câncer de mama não termina com o tratamento. Depois de vencer a cirurgia, a quimioterapia e seus efeitos colaterais, como enjoos e queda de cabelos, é preciso enfrentar um novo desafio: recuperar a autoestima. A reconstrução da mama é uma possibilidade, mas a pigmentação da aréola acaba perdida. Os tatuadores têm sido requisitados justamente por dominarem a técnica artística do desenho e conseguirem dar mais naturalidade aos seios reconstruídos.

Para realizar a tatuagem reparadora, o trabalho dos tatuadores deve ser preciso e minucioso, com o uso de técnicas realistas, que buscam proporcionar ao desenho um efeito 3D. Antes de escolher um tatuador para esse tipo de procedimento, é importante pesquisar trabalhos anteriores e referências. Nem todo tatuador domina essa técnica.

Não há contraindicação para a tatuagem reparadora, mas é importante que a área esteja completamente cicatrizada. “Nós pedimos um laudo do médico liberando para tatuar o local em que a cirurgia foi feita”, explica o tatuador Rodrigo Catuaba, um dos fundadores do Projeto Florescer, iniciativa que permite a realização gratuita da tatuagem reparadora, no Rio de Janeiro.

 

Projeto do bem

 

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Catuaba começou a fazer a pigmentação de seios reconstruídos há cinco anos, quando atendeu uma paciente que havia retirado a mama em consequência de um câncer. “Por indicação médica, ela me procurou para reconstruir o mamilo. Quando terminei a tatuagem, ela se derramou em choro, dizendo que eu tinha trazido de volta a sua autoestima e que eu não imaginava quantas mulheres precisavam de mim”, conta.

O tatuador lembra que não soube definir exatamente quanto cobraria, pois nunca tinha sido requisitado para aquele tipo de trabalho. “Então, cobrei apenas o valor do material”, recorda. Foi a partir daí que surgiu a ideia de criar o Projeto Florescer, que ele mantém em parceria com o tatuador Diego Belmiro.

O projeto atende durante o ano inteiro no estúdio de Catuaba e Belmiro, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Os dois reservam as manhãs da segunda-feira para receber duas mulheres que estão em busca da reconstrução dos mamilos e desejam também cobrir as cicatrizes da cirurgia. O procedimento dura cerca de uma hora e meia.

As mulheres atendidas pelo Projeto Florescer não precisam pagar pela tatuagem. Em celebração ao Outubro Rosa, os tatuadores atendem neste mês cinco mulheres a cada segunda-feira. A divisão do trabalho também é bastante simples: Catuaba é responsável pela pigmentação do mamilo, enquanto Belmiro faz a cobertura das cicatrizes.

 

Autoestima de volta

 

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Para Ana Rita Vianna, o trabalho do Projeto Florescer foi muito importante para a recuperação de sua autoestima. “Eu não tinha coragem de me relacionar com ninguém, pois não conseguia me apresentar da maneira como estava, sem mamilos e com cicatrizes nas duas mamas. Depois das tatuagens, eu nem lembro mais como era. Me sinto inteira por fora e por dentro”, diz.

Ela conta que conheceu o projeto após comentar o seu desconforto com um amigo. Depois de ver um vídeo sobre o trabalho de Catuaba nas redes sociais, o amigo sugeriu que ela procurasse o tatuador. “Quando pesquisei sobre ele, vi que era famoso e pensei que nunca fosse conseguir falar com ele, mas liguei e ele mesmo me atendeu”, recorda Vianna.

Após o procedimento, Ana Rita recuperou a autoestima e diz que recomenda que outras mulheres também se submetam ao procedimento de pigmentação dos mamilos. “Foi bom para mim e tenho certeza de que será para muitas outras vítimas do câncer. Hoje, sou muito mais mulher do que eu era antes da doença”, afirma.

Mas não foi apenas na vida das mulheres que o trabalho impactou. O projeto tem trazido uma onda de gratidão para os próprios tatuadores. “Você não imagina a felicidade delas ao final da tatuagem. O choro de alegria e o sorriso no rosto de cada uma… É muito gratificante saber que meu trabalho fez tanta diferença na vida delas. Faço de coração”, define Catuaba.

 

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