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Rich Tattoo Art: de expectador a tatuador e youtuber

Ame o que faz e dedique-se 100%. Esse é um dos conselhos que o tatuador e youtuber Richard Arthur dar para os profissionais que estão em busca do sucesso. Nos últimos anos, ele tem visto sua vida mudar ao conseguir destaque não apenas pelo seu trabalho como tatuador, mas também como um influenciador no universo das tattoos.

Apaixonado pela pigmentação na pele desde a adolescência, Rich começou a colecionar revistas sobre o assunto e fazer amizade com outros tatuadores. Foi pela influência de amigos que decidiu começar a ele mesmo tatuar pessoas e, há pouco mais de dois anos, passou a trabalhar profissionalmente apenas com as tatuagens.

Suas dúvidas e vontade de aprender lhe levaram a buscar no YouTube por respostas. Foi assim que percebeu que poderia também ajudar a outros tatuadores iniciantes com o que aprendia sobre as tattoos e, assim, criou o seu próprio canal no YouTube. Hoje, a agenda de Rich Tattoo Art segue lotada e ele busca conciliar seu tempo entre a vida pessoa, convenções, o seu canal e os trabalhos como tatuador.

O blog Tudo Sobre Tatuagem conversou com o tatuador e youtuber sobre o começo de sua carreira, os desafios em manter um canal no YouTube e sobre outros assuntos ligados ao universo da tatuagem. Confira:

 

  1. Como a tatuagem entrou na sua vida?

Desde os 15 anos que a tattoo me fascina. Fiz a minha primeira tatuagem aos 18 anos, em um momento difícil para a sociedade aceitar tatuados. Colecionava revistas de tattoo, fiz amigos tatuadores e sempre desenhei, mas não pensava em tatuar mesmo gostando muito. Mas acabou que o destino e incentivo de amigos me colocaram para tatuar e, desde então, não parei mais! Mudei de profissão e passei a trabalhar apenas com tattoo profissionalmente há pouco mais de 2 anos.

 

  1. Como é a sua atuação na área da tatuagem?

Atualmente, eu trabalho em um estúdio conceituado em minha cidade, com mais de 30 anos de tradição, o Gatto Matto Tattoo. Minha especialidade é o realismo, estilo que sempre me chamou a atenção e desde que comecei já sabia que queria seguir essa linha.

 

  1. Você tem um canal no YouTube focado nos tatuadores. Como surgiu a ideia de falar sobre o tema?

Quando comecei, para não ficar incomodando meus amigos tatuadores o tempo todo, eu buscava no YouTube por mais informações e aprendizado. Foi quando me deparei com alguns canais que enrolavam e não passavam a informação e, mesmo com apenas um ano e meio de profissão, decidi fazer o primeiro vídeo onde passaria tudo que eu havia aprendido até ali. E assim foi crescendo o canal e ajudando da melhor forma possível tatuadores iniciantes ou mesmo dando dicas e reviews de equipamentos e materiais para tatuadores experientes.

 

  1. Qual é a maior dificuldade em se manter um canal no YouTube sobre a temática?

O maior problema que já passei e um dos assuntos mais difíceis de lidar no canal são quando há críticas a serem feitas a produtos, equipamentos ou mesmo opinião pessoal minha, pois, pela influência que adquirimos, acabamos por incomodar interesses de terceiros. Eu já sofri por perseguições e ataques na internet, desde tatuadores a pessoas influentes no ramo da tattoo. Por isso, acabo deixando certos assuntos de lado, mesmo sabendo que poderia ser algo muito importante a ser passado para o público.

 

  1. Montar as pautas deve ser um desafio sempre. Como você escolher os temas que serão abordados em seu canal?

Escolho os temas de acordo com o que eu adoraria assistir em um início de carreira ou produtos que adoraria ver alguém testando e nos relatando o que achou. O YouTube se tornou uma ótima ferramenta de busca relacionado a dívidas e aprendizado, então sempre penso antes: “Eu gostaria de ver esse vídeo? Me seria útil?”. Se atender a esses questionamentos, então eu faço. Caso contrário, prefiro não fazer por achar que não agregaria na vida do tatuador ou tatuado.

 

  1. Entre as tatuagens e os vídeos para o seu canal, como você consegue conciliar o seu tempo de trabalho com a vida pessoal?

Essa é a pior parte no momento para mim, pois o tempo está curto e a agenda cada vez mais cheia com tattoos, eventos, famílias, viagens e canal. Sempre que me aparece um tempinho livre, corro para ligar a câmera e deixo registrado o vídeo. Quando possível, eu edito e subo paro canal. Mas esse ano, eu terei de fazer algumas mudanças para conseguir manter uma rotina de vídeos no canal.

 

  1. Tem algum trabalho que tenha lhe marcado de alguma forma? Caso sim, qual?

No momento, eu tenho dois trabalhos que me marcaram: o Stan Lee que tatuei em uma convenção e me rendeu dois prêmios, o de melhor realismo e melhor tatuagem do evento. Com isso, eu ganhei um stand na Tattoo Week Rio que me abriram algumas importantes portas, uma delas um convite a para fazer parte do time Cheyenne. A segunda seria a tattoo feita nesse mesmo evento, do Mussum, que me rendeu o patrocínio e homenagem feita a mim e ao tatuado pelo filho do Mussum e a cervejaria Cacildis. Essa ação que me emocionou muito!

 

  1. Pelo feedback que você tem de seu público, qual as principais dúvidas que os novos tatuadores possuem?

Como usar determinados equipamentos, sobre diferenças de materiais e técnicas! Sempre recebo muitas perguntas, principalmente relacionadas a esses temas. Também recebo muitos agradecimentos e relatos de como já ajudei em suas carreiras, motivo pelo qual mantenho o canal.

 

  1. No momento de divulgar suas artes nas redes sociais, quais os cuidados que o tatuador deve ter?

Fotos de boa qualidade, mas sem muita edição. É necessário também ter atenção ao horário, aos perfis que você irá marcar e às hashtags colocadas! Isso é muito importante para um bom engajamento e audiência.

 

  1. Qual a sua opinião sobre as competições dentro das convenções ou feiras de tatuagem?

Sempre achei e acho muito importante as convenções de tatuagem e vejo crescendo a cada ano o número de eventos pelo país. Porém sempre digo que o prêmio é uma consequência e que o trabalho deve ter foco e dedicação, independente de premiação. Eu já conquistei prêmios com trabalhos que nem achava que seriam aceitos por conta de regras, mas mesmo assim o fiz por querer muito realizar aquele determinado trabalho. Outros eu fiz seguindo as regras à risca, visando algum prêmio e não ganhei. Então, atualmente, de acordo com a experiência que adquiri, vou a convenções para mostrar o meu trabalho, rever amigos, fazer novos amigos e contatos profissionais e deixo a premiação apenas para ser uma consequência do meu trabalho. Não acho que há perdedores nessas competições, apenas trabalhos não escolhidos naquele momento.

 

  1. Quais as dicas você daria para ter um tatuador que está em busca de viver da sua arte?

Ame o que faz, dedique-se 100% e não espere por reconhecimento. Aprendi que o reconhecimento é consequência de um bom trabalho. Aceite críticas e sugestões e sempre tenha mente aberta para evolução. Respeite seu companheiro de profissão, sem disputas e sim buscando união. Com isso, o sucesso será certo.

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